
O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, agendou para a próxima quarta-feira (14) a votação do impeachment do presidente Julio Casares, com início previsto para 18h30. Para aprovação, é necessária a maioria qualificada de dois terços do Conselho, ou seja, 171 votos entre os 255 possíveis, o que implicaria em afastamento provisório do dirigente.
Após a decisão do Conselho, a Assembleia Geral de sócios do clube terá até 30 dias para ratificar a medida, bastando maioria simples. Caso Casares seja destituído, quem assume a presidência é o vice Harry Massis Junior, até a realização da eleição indireta, em que os conselheiros escolherão o novo mandatário.
O agendamento da votação segue o posicionamento do Conselho Consultivo do São Paulo, que se declarou contra o impeachment por “falta de provas”. Na reunião realizada no dia 6, no escritório do jurista Ives Gandra da Silva Martins, os 12 membros debateram o caso, mas apenas nove compareceram:
Julio Casares, Olten Ayres, Carlos Miguel Aidar, Marcelo Pupo, Ives Gandra, Leco, José Carlos Ferreira Alves, José Eduardo Mesquita Pimenta e Paulo Amaral Vasconcelos. Dos presentes, apenas José Carlos Ferreira Alves se manifestou a favor do avanço do processo; os demais foram contrários e não recomendaram a renúncia do presidente.
O ex-presidente Carlos Miguel Aidar, que deixou o clube em 2015 após denúncias de corrupção, aconselhou Casares a não renunciar. Aidar afirmou carregar “um pequeno arrependimento” por ter optado pela renúncia naquela ocasião, avaliando que poderia ter permanecido no cargo mesmo diante da crise institucional vivida pelo Tricolor. Durante todo o processo, Casares manteve postura tranquila.
O episódio ocorre em meio a investigações da Polícia Civil, com base em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os documentos indicam que Julio Casares recebeu R$ 1,5 milhão em depósitos em espécie entre janeiro de 2023 e maio de 2025, valor superior aos vencimentos oficiais no clube durante o período.
Em nota, a defesa de Casares declarou que todas as movimentações financeiras possuem origem lícita e compatível com a evolução de sua capacidade financeira, ressaltando que antes de assumir a presidência do São Paulo, ele atuou em cargos de alta direção na iniciativa privada com boa remuneração.
A equipe jurídica afirmou ainda que todas as informações serão detalhadas durante as investigações, com apresentação de provas, declarações e informações fiscais, para esclarecer quaisquer questionamentos sobre a gestão do presidente.
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🚨Torcedores do São Paulo protestam contra o Presidente Júlio Casares após graves denúncias. Registro do @mabragatchelo na saída da Reunião de hoje à tarde do Conselho consultivo pic.twitter.com/v6duWfPlW2
— André Hernan (@andrehernan) January 6, 2026

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