
(Por Rafael Andrade Jardim – Editor ‘Mundo SPFC’) O Flamengo perdeu domingo por 4 a 2 para o Bayern de Munique. Bastou o jogo acabar para uma avalanche de postagens surgirem em páginas “tricolores” nas redes sociais: piadas, memes, resgate de vitórias do passado comparações forçadas — como se isso aliviasse minimamente o drama que o São Paulo vive hoje. Você certamente viu algumas nas suas redes sociais hoje.
O rival carioca caiu? Sim. Mas caiu jogando uma Copa do Mundo, como parte de um seleto grupo de clubes sul-americanos que estão na inédita competição. Um torneio que vai render aí na casa dos R$ 200 milhões em premiação e visibilidade internacional. O São Paulo sequer passou perto de disputar.
E é justamente aí que mora o problema: enquanto essas páginas seguem distraindo o torcedor com provocações a rivais e resgate de conquistas de 20, 30, 35 anos atrás, o clube se desconecta da realidade. Nossa última Libertadores e nosso último Mundial foi dois anos antes do PRIMEIRO Iphone.
A maior parte dessas páginas atua como fábrica de nostalgia, tentando hipnotizar a torcida com vídeos em VHS da Libertadores de 1992 ou dos golaços de Muller e Raí no Mundial de Tóquio. É bonito lembrar? Claro. Mas viver disso em 2024 é trágico. E, principalmente, é conivente com a omissão da atual gestão.
Essas páginas deveriam estar cobrando o presidente Júlio Casares. Deveriam exigir um plano realista para recolocar o São Paulo na briga por uma nova Libertadores. Deveriam pressionar por transparência nas contas, por uma estratégia clara de redução da dívida, que já ultrapassa os R$ 900 milhões. Deveriam escancarar a falta de protagonismo no mercado de transferências, a ausência de um elenco competitivo, a estagnação tática e esportiva.
Enquanto o Palmeiras, por exemplo, reforça seu time com Paulinho, destaque recente do Atlético-MG e um dos atacantes mais cobiçados do país, o São Paulo anuncia reforços inexpressivos que, dentro de campo, pouco ou nada acrescentam. Qual dos nossos reforços se firmou? Quem realmente elevou o nível da equipe? Nenhum. Aliás, tem dinheiro para reforços?
E quando o rival verde tropeçar, como pode acontecer, o discurso será o de sempre: “eles não têm Mundial”. E pronto. A discussão acaba aí.
Só que enquanto isso, o Palmeiras ganha Brasileiros, vence Libertadores e arrecada fortunas. O Fluminense, que nunca tinha vencido uma, agora é campeão continental e está nas quartas (!!!) da Copa do Mundo após bater por 2 a 0 o vice da Champions.
O Flamengo, mesmo sendo alvo de piada por uma derrota amistosa, venceu o Chelsea de virada e, no Brasil, segue colecionando títulos, finais e receitas milionárias.
O São Paulo, por outro lado, vive de lembrança. E de ilusão. Alimentada por páginas que preferem fazer parte da alienação a exercer o papel mínimo de fiscalização e crítica. Microinfluenciadores que trocam o debate por engajamento fácil.
Enquanto isso, temos um presidente mais preocupado com vaidade institucional do que com gestão financeira. E um Conselho Deliberativo que parece existir apenas para garantir sua própria longevidade no poder.
A verdade é dura: o São Paulo está longe de ser protagonista. E cada vez mais distante de ser competitivo. Rir do Flamengo ontem foi cômodo. Duro mesmo é encarar o fato de que, hoje, talvez nem conseguíssemos disputar aquele jogo. E se disputássemos, muito provavelmente não teríamos feito dois gols. Mas essa nem é a questão central. O ponto é: não estamos nem perto de viver esse tipo de realidade esportiva.
Enquanto o clube vive no passado e seus dirigentes escondem o futuro, a dívida cresce, os resultados não aparecem e a torcida, enganada, bate palma para memes de títulos que os mais jovens nunca viram ao vivo.
O São Paulo precisa de uma torcida consciente, crítica, exigente. Não de influenciadores que vendem nostalgia como anestesia. É hora de parar de rir dos outros. E começar a cobrar o que o nosso clube deixou de ser.
Receba nosso conteúdo no seu WhatssApp
https://chat.whatsapp.com/EbOxzdwQjdn4bMgEkV2WPK
Segue nas redes!
X (Twitter)
Facebook
Youtube

Veja também
O que eu faria nesta nova crise do São Paulo
Zubeldía, os tempos de imagem e o São Paulo que afunda
São Paulo preso ao passado, enquanto assisto ao duelo de rivais