
A oposição do São Paulo Futebol Clube protocolou, na manhã dessa terça-feira (22), um requerimento para a convocação de uma reunião extraordinária do Conselho Deliberativo.
O objetivo é debater a abertura de um processo de impeachment contra o presidente do clube, Julio Casares. O documento conta com 57 assinaturas, sendo 40 de conselheiros identificados com a oposição e outras 13 de integrantes considerados da base aliada.
O pedido não inclui o vice-presidente Harry Massis Júnior, empresário de 80 anos que ocupa o cargo desde o início da atual gestão, em 2021. Sócio do São Paulo há mais de seis décadas, Massis assumiria interinamente a presidência caso Casares seja afastado ou destituído.
“Administração temerária”
No requerimento, os conselheiros citam supostos atos de “administração temerária” como fundamento para o impeachment. Entre os argumentos apresentados estão o descumprimento recorrente do orçamento aprovado, o crescimento da dívida do clube — que ultrapassou R$ 968,2 milhões ao final de 2024 —, além da alegada venda de atletas por valores abaixo do mercado em janelas recentes.
O documento também menciona suspeitas de comercialização irregular de ingressos envolvendo dois diretores do clube, tema que reforça o pedido de apuração interna.
Conselho Deliberativo
Segundo apuração do UOL, interlocutores ouvidos avaliam que a coleta de assinaturas representa apenas a etapa inicial do processo. O principal obstáculo estaria na votação dentro do Conselho Deliberativo, hoje considerado majoritariamente favorável à permanência de Casares.
O caminho previsto passa por duas instâncias: primeiro, a análise e votação no Conselho; em caso de aprovação, o processo seguiria para uma Assembleia Geral de sócios.
Prazos e possíveis convocações
A expectativa da oposição é que o presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres, faça a convocação da reunião e não “sente” sobre o pedido. Caso isso não ocorra no prazo de até 30 dias, a responsabilidade passaria ao vice-presidente do Conselho, João Farias Júnior, que teria mais 15 dias para agir.
Se também houver omissão, a convocação ficaria a cargo do conselheiro mais antigo entre os signatários do requerimento, conforme previsto no estatuto.
Quórum elevado
Para que o pedido de destituição avance no Conselho Deliberativo, é necessário o voto favorável de ao menos dois terços dos 255 conselheiros, o que corresponde a 171 votos. Caso esse número seja alcançado, Julio Casares seria afastado imediatamente do cargo, com Harry Massis assumindo a presidência de forma provisória.
Palavra final
Aprovado o afastamento no Conselho, o presidente do próprio órgão deve convocar uma Assembleia Geral em até 30 dias. Nessa etapa, todos os sócios adimplentes do clube poderão votar. A decisão final será tomada por maioria simples dos presentes.
Se a Assembleia não ratificar a decisão do Conselho, Casares retorna automaticamente ao cargo. Caso a destituição seja confirmada, Massis assume definitivamente a presidência, conforme as regras estatutárias.
Regras do estatuto
O estatuto do São Paulo prevê que o Conselho Deliberativo pode se reunir extraordinariamente para tratar da destituição do presidente, desde que o tema conste na ordem do dia e seja convocado pelo presidente do Conselho ou solicitado por, no mínimo, 50 conselheiros.
A norma também estabelece os prazos para convocação, as penalidades em caso de omissão, o quórum qualificado exigido para afastamento e o rito até a Assembleia Geral, que tem a palavra final sobre a permanência ou não do mandatário. (Foto: SPFC; Fonte: UOL)
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