
(Por Rafael Andrade Jardim – Editor ‘Mundo SPFC’) – O São Paulo não cansa de testar a paciência do torcedor. O roteiro se repete: um lampejo de esperança seguido por uma sequência de frustrações. E olha que o ‘lampejo’ foi não ter perdido para o Palmeiras no Allianz no domingo passado.
O que acontece com o São Paulo? O que acontece com esse time que parece se arrastar em campo, com jogadores sem alma, sem vontade, sem futebol? Mais uma derrota, mais um jogo patético, mais um motivo para o torcedor perder qualquer resquício de esperança. A Ponte Preta, uma equipe que mal tem estrutura para brigar por algo grande no Paulistão, foi ao Morumbi e venceu por 2 a 1 sem grandes dificuldades. E o pior: era previsível.
A sensação de ser torcedor do São Paulo, hoje, é um misto de frustração e impotência. O clube parece estar derretendo, afundando em incompetência e promessas vazias. Sob a gestão Casares, o São Paulo não apenas estagnou. Ele conseguiu a proeza de ‘andar para trás’.
A cada jogo, a cada decisão equivocada, a cada escalação absurda, fica mais evidente que o São Paulo virou um cemitério de ambições. Não é só sobre perder um jogo. É sobre a certeza de que o clube não tem rumo.
Eu, sinceramente, não espero mais nada deste elenco, e olha que estamos em FEVEREIRO.
E o treinador, hein? O que passa na cabeça de Zubeldía? O técnico, que começou gerando alguma esperança, tem mostrado uma teimosia absurda e escolhas que beiram o amadorismo. Se precisar de um gol, ele coloca um lateral sem a menor condição. Se precisar se defender, toma dois gols de um time médio.
Mas seria injusto culpar só o treinador. Os jogadores são um retrato perfeito da bagunça que é o São Paulo. Como se explica um time que deve salários, direitos de imagem, premiações e ainda assim torra dinheiro em reforços medíocres? Ferreirinha chegou e nem pagaram. Juan Trolld e Marcos Antônio custaram R$ 53 milhões. E o retorno? Zero. Onde está o dinheiro da Copa do Brasil, dos recordes de bilheteria, dos shows no Morumbi? Alguém consegue explicar?
E o torcedor? O torcedor vai deixando de acreditar, vai desistindo aos poucos. Ele percebe que Casares e Belmonte vivem em uma realidade paralela, onde tudo está sob controle, enquanto a realidade em campo grita outra coisa. O presidente some nas derrotas, fecha os comentários no Instagram, se esconde como pode. Homem para dar entrevista só na vitória. Na crise, nem sinal de vida.
O resultado de toda essa desordem aparece nas arquibancadas. Apenas 22 mil pessoas foram ao Morumbi. O horário do jogo foi alterado sem respeito ao torcedor. Mas, na verdade, esse desânimo vai além do horário.
O são-paulino não quer mais passar raiva, não quer mais gastar dinheiro para ver um bando de jogadores sem alma em campo. Ontem, não fui novamente e não tenho ideia de quando voltarei ao estádio para assistir ao que vimo ontem na TV.
A pior parte de tudo isso é a ausência de perspectiva. Não há um plano, não há uma solução à vista. O São Paulo segue sua sina de ser um time bagunçado, com um elenco fraco, um treinador perdido e uma diretoria omissa. O torcedor segue assistindo, mais por obrigação do que por prazer. E, se nada mudar, esse clube tricampeão mundial vai continuar sua lenta decadência. Até quando?

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